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terça-feira, outubro 7

Hora é de evitar dívidas e optar por manter liquidez

Por Luciana Monteiro, de São Paulo
07/10/2008
Fonte: Valoronline

Em um momento de grande incerteza com relação ao comportamento da economia no mundo todo, os economistas são unânimes na hora de dar qualquer conselho quando o assunto é dinheiro: evite dívidas, principalmente as de longo prazo. Isso quer dizer que a recomendação é esperar um pouco mais para trocar de carro, comprar um apartamento maior ou até, em alguns casos, adiar aquela tão sonhada viagem para o exterior.


Embora os fundamentos da economia brasileira estejam muito melhores para atravessar a crise internacional, haverá reflexos também por aqui. Caso os Estados Unidos ou Europa entrem em recessão, ou mesmo se o mundo crescer a menores taxas, o Brasil venderá menos para o exterior. Conseqüentemente, as empresas terão de botar o pé no freio na produção e, no pior cenário, isso pode significar cortes de custos, ou seja, redução de empregos.


Em momentos de incerteza econômica, o melhor a fazer é montar uma reserva para emergências, diz William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV. "É uma boa hora para fazer um exercício de como cuidar do dinheiro, de montar um bom orçamento." Ele sugere classificar as despesas em quatro categorias: alimentos, itens básicos, gastos contornáveis e dispensáveis. "Assim, é possível ter uma idéia clara do que reduzir se tiver de cortar custos."


Mas de que tamanho deve ser essa reserva? Equivalente a pelo menos seis meses do orçamento doméstico, diz Marcia Dessen, sócia da Bankrisk Consultoria. "Um colchão desse tamanho é suficiente para dar paz de espírito para atravessar momentos como estes." Para evitar o consumo desnecessário, ela sugere um exercício fácil: as pessoas devem dividir o salário por 30 para saber o quanto ganham por dia. "Com isso, toda vez que quiser comprar algo, ela compara o preço e vê o quanto de esforço, ou seja, quantos dias de trabalho, precisa para ter aquele produto".


O ideal é manter um alto nível de liquidez, com menos dívida possível, pois os juros deverão subir, avalia Keyler Carvalho Rocha, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-SP) e professor da USP. "Se a pessoa não tem a necessidade do bem agora, é melhor esperar um cenário menos nebuloso", afirma.


O problema é que alguns estão justamente prestes a fechar contratos de financiamento de imóveis, que são, por natureza, de longo prazo. "Se o imóvel é para uso próprio, o momento é bom para fechar negócio", diz. "É preciso aproveitar que ainda há recursos para financiamentos." Mas se a idéia é comprar um imóvel para proteger o dinheiro e viver de aluguel, a avaliação é outra. "O retorno com aluguel é pequeno, é preciso pagar imposto de renda sobre os ganhos, além de outros custos."


Além disso, o país vive uma euforia no preço dos imóveis graças ao recente aumento do crédito, afirma Eid, da FGV. "Os preços estão elevadíssimos e o melhor seria esperar para comprar, pois vamos sofrer com a crise e os valores tendem a cair", avalia.


Mas e quem tem uma viagem já programada para o exterior? O custo aumentou e, para quem não estava preparado para esse aumento, o melhor é adiar a viagem, afirma Carvalho, do Ibef. Muitos neste momento podem estar pensando: "Ah, mas eu mereço essa viagem, afinal de contas, tratam-se das minhas férias." Mas não adianta viajar e simplesmente fingir que nada aconteceu porque, quando voltar, vai ter dor-de-cabeça, diz Márcia, da Bankrisk. "Se a pessoa não estava preparada, pode adiar a viagem ou reduzir o número de dias lá fora, ou ainda mudar o itinerário e viajar pelo Brasil mesmo." E quem já viajou deve se preparar para a conta do cartão de crédito em dólar, que vai custar 30% a mais do que há um mês. A recomendação é apertar o cinto e pagar toda fatura, pois os juros do cartão vão subir mais.

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