Nordeste pesquisa cana mais produtiva
Carolina Mandl, do Recife
01/09/2008
Fonte: Valoronline
Com baixos patamares de produtividade nos canaviais, as usinas do Nordeste investem em pesquisas para alcançar a marca obtida no centro-sul do país. Em Alagoas e Pernambuco, os dois maiores Estados produtores de açúcar e álcool da região, respectivamente, a produtividade média de cana por hectare está entre 62 e 75 toneladas. No centro-sul, fica entre 85 e 100 toneladas por hectare.
Essa diferença, entretanto, tende a se reduzir. Nos últimos dois anos, por exemplo, enquanto o rendimento industrial - quantidade de açúcar por hectare de cana - cresceu 1,5% no Nordeste, o Centro-Sul ficou estagnado, segundo dados da consultoria Datagro.
Com terrenos acidentados e sem chuvas regulares, os usineiros nordestinos não conseguem expandir a produção. Sem terras disponíveis, a saída é buscar variedades de cana mais produtivas. Nesse campo, já são quatro as novas variedades que se destacam na região, todas oriundas da Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro): a alagoana RB 92579, a mineira RB 867515 e as pernambucanas RB 863129 e RB 872552.
A principal característica dessas novas variedades está relacionada à maior tolerância à seca, um problema característico da região Nordeste. Mesmo em áreas irrigadas, essas variedades respondem bem. "Dizemos que essas variedades são bastante ecléticas", diz Djalma Simões Neto, coordenador de melhoramento genético da Ridesa/Pernambuco. Segundo ele, essa modalidade tem mostrado ser capaz de elevar a produtividade por hectare em 20% na região, além de gerar uma cana com um teor de açúcar 30% maior. Uma delas, a RB 92579, tem se destacado, com produtividade até 30% maior.
Em Pernambuco, essas canas mais produtivas já ocupam mais de 60% da área plantada, e em Alagoas, 40%. Para garantir melhor resultado nos canaviais, o setor está investindo por ano cerca de R$ 3 milhões.
Na usina Santo Antônio, em Alagoas, áreas com plantação da RB 92579 conseguiram obter uma produtividade de mais de quase 100 toneladas por hectare, comparado a uma média de 78 toneladas por hectare, de acordo com José Carlos Maranhão, diretor comercial da Santo Antônio.
Para Geraldo Veríssimo, diretor-adjunto da Ridesa/Alagoas, a irrigação é outro elemento que tem contribuído para a maior produção nordestina. Em Alagoas, por exemplo, dos 450 mil hectares de área plantada, 200 mil hectares já não precisam mais esperar pelas chuvas. Levar água aos canaviais, contudo, não tem sido uma tarefa fácil - e barata - no Nordeste. Os terrenos acidentados muitas vezes dificultam a mecanização e a saída é usar o homem para regar as plantações.
Na usina Serra Grande, também em Alagoas, em anos de clima desfavorável, cerca de 400 pessoas são contratadas para irrigar as áreas de encosta, de onde saem 1,3 milhão de toneladas de cana por safra. "O custo é muito elevado, mas compensa o ganho que se tem em produtividade", diz Cauby de Figueiredo Filho, engenheiro agrônomo das usinas Serra Grande (AL) e Trapiche (PE). A introdução das novas variedades e da irrigação elevou a produtividade por hectare de 48 toneladas para 74 toneladas nos últimos dez anos.
O grande potencial da região, diz Plínio Nastari, da Datagro, está na abertura de novas fronteiras agrícolas no Vale do Rio São Francisco, com áreas irrigadas. "A luminosidade do Nordeste é muito boa para a cana. Havendo água, melhor ainda", diz.


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