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segunda-feira, março 6

Importação cresce mais que exportação


Fonte : Folha de São Paulo

O saldo da balança comercial de fevereiro resistiu à forte queda da cotação do dólar e ficou em US$ 2,8 bilhões. Mas neste ano as importações estão crescendo mais dos que as exportações -o que não acontecia desde agosto do ano passado.
Apesar do câmbio desfavorável e das constantes queixas dos exportadores, as exportações e o saldo comercial foram os mais altos já registrados em fevereiros. O mesmo aconteceu com as importações e, conseqüentemente, com a corrente de comércio (a soma de exportações e importações, indicadora do grau de abertura do país).
As exportações somaram US$ 8,7 bilhões no mês, 12,8% a mais do que em fevereiro de 2005, e as importações ficaram em US$ 5,9 bilhões, um crescimento de 19%.
Os números foram turbinados na semana que antecedeu o feriado de Carnaval. Até a terceira semana do mês, a média diária dos embarques estava em US$ 430 milhões, o que gerou preocupações entre os analistas, mas, na quarta semana, a média saltou para US$ 584 milhões.
Segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, isso ocorreu porque muitos exportadores adiantaram embarques previstos para março, para evitar atrasos causados pelo feriado. "Certamente esse aumento será compensado no mês que vem [neste mês de março]."

Mais importações
No bimestre, os embarques aumentaram 15,6%, e as compras, 20,7%. O aumento das importações é efeito tanto da desvalorização do dólar quanto do crescimento da economia, na avaliação do Ministério do Desenvolvimento. Mas o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat, disse que está preocupado com o câmbio. "Se não fosse pela desvalorização do dólar, o resultado das exportações estaria ainda melhor", disse ele.
No ano passado, as exportações cresceram acima das importações durante quase todo o ano, o que foi considerado tanto pelo governo quanto pelo mercado como um reflexo da baixa atividade industrial. Por isso, o ministério espera que as importações continuem crescendo mais do que as exportações até o fim do ano, segundo afirmou Meziat.
Para Castro, da AEB, o crescimento das importações não é surpresa e está muito mais relacionado à desvalorização do dólar do que ao crescimento da economia. Já para Meziat, o aumento das importações de bens de consumo, de 26% em fevereiro, é efeito do câmbio, mas a alta de 26,6% nas importações de bens de capital é sinal de investimentos das empresas e, portanto, de aquecimento da economia.
Os números do ano passado, porém, mostram que as importações de bens de capital não têm necessariamente uma relação direta com o aquecimento da economia, uma vez que as compras nessa categoria cresceram 25%, mas o PIB (Produto Interno Bruto) teve expansão de apenas 2,3%, e a taxa de investimento, de 1,6%.
"Isso mostra que as empresas estão aproveitando o dólar barato para substituir equipamentos ou dar manutenção a seus parques industriais, mas não aumentando a produção", afirma Castro.
A AEB também acredita que as importações devem crescer mais do que as importações neste ano, mas acha que será pelo resultado do câmbio. Castro também calcula que cerca de 500 empresas deixem de exportar em 2006.
Essa também é uma preocupação do ministério, que, no ano passado, detectou um saldo líquido negativo de 951 empresas no balanço dos que passaram a exportar e os que abandonaram o mercado externo. "Ainda estamos fazendo um levantamento para saber quais foram as razões e queremos diversificar as exportações", disse.
"O Brasil tem 4,5 milhões de empresas e menos de 20% estão exportando, é preciso aumentar esse número", disse Meziat.
De acordo com Castro, a redução do número de empresas exportadoras interrompeu um aumento que vinha sendo contínuo desde 1997

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