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segunda-feira, dezembro 8

Investimentos em canaviais deverão recuar durante entressafra 2008/09

De São Paulo
08/12/2008
Fonte: Valoronline

Os canaviais receberão poucos investimentos durante a entressafra 2008/09, que começou neste mês e vai até abril de 2009. Aplicação de insumos e renovação das lavouras terão poucos aportes por conta da crise financeira pela qual passam as usinas.

Tradicionalmente as usinas renovam até 20% dos canaviais por safra, segundo a consultoria Datagro. Esse percentual deverá ficar abaixo de 16%, de acordo com estimativas de Plínio Nastari, presidente da consultoria. "A não-renovação afeta a produtividade das safras futuras", disse.

Com escassez de crédito no mercado e com pouco capital de giro, as usinas vão reduzir os investimentos no campo como forma de reduzir seus custos.

Contrariando a tendência que se concretiza no setor, o grupo francês Tereos, controlador da Açúcar Guarani, com cinco usinas em operação, deverá manter seus investimentos nos canaviais, afirmou Jacyr Costa, presidente da Guarani. As usinas do grupo deverão encerrar a moagem até o dia 15. "Suspendemos alguns investimentos em ampliação das usinas do grupo, mas vamos manter os aportes no campo", afirmou. A mecanização das lavouras também faz parte da prioridade da companhia.

Para manter os mesmos patamares de produtividade agrícola, o grupo São Martinho também deverá manter os investimentos nos canaviais, afirmou o CEO da companhia, Fábio Venturelli. A moagem da usina São Martinho foi encerrada na semana passada e as outras duas unidades do grupo, a Iracema, em Iracemápolis (SP), e Boa Vista, em Quirinópolis (GO), deverão concluir a colheita nos próximos dias.

Nesta safra 2008/09, cerca de 40 milhões de toneladas de cana deverão ficar nos canaviais. A expectativa é de que o mesmo volume fique no campo também em 2009/10. Os baixos preços do açúcar no mercado internacional desde a temporada 2007/08 deixaram as empresas do setor sucroalcooleiro.

Por conta da crise financeira, muitos grupos também vão adiar as operações de seus projetos novos de usinas. Levantamento da Datagro mostra que das 35 novas unidades previstas para entrar em operação nessa safra, sete adiaram os planos para 2009 . Em 2009, havia uma previsão de que 43 novas usinas começariam a moagem. No entanto, apenas 25 plantas devem começar suas operações no próximo ano, incluindo as sete unidades que começariam em 2008. (MS)

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quinta-feira, outubro 16

Montadora prepara o carro elétrico

De São Paulo
16/10/2008
Fonte: Valoronline

Se os planos da Mitsubishi de produzir seu carro elétrico em massa derem resultado é possível que o consumidor brasileiro não demore para conhecer o MiEV (Mitsubishi Inovator Electronic Vehicle), nome do automóvel que a empresa promete lançar no mercado japonês em julho de 2009.


Os planos para que um carro como esse venha para o Brasil ainda não passam de estudos. Ao mesmo tempo, o presidente mundial da Mitsubishi, Osamu Masuko, parece muito interessado em conhecer melhor o etanol.


Segundo ele, a empresa pretende utilizar a tecnologia obtida no Brasil com o desenvolvimento do motor que permite uso de álcool ou gasolina para experimentar produtos semelhantes na Europa.


Quanto ao Japão, onde a indústria automobilística sempre pareceu distante da utilização de etanol nos veículos desenvolvidos para o mercado local, o executivo diz: "O Japão não pode se dar ao luxo de desistir de um combustível tão nobre como o etanol".


Ele considera o derivado da cana-de-açúcar uma "grande arma do Brasil contra a elevação do preço do petróleo e preservação do meio ambiente". Em seu primeiro dia de visita ao Brasil, ontem, Masuko diz ter se encantado ao ver a palavra "álcool" nas bombas dos postos de gasolina de São Paulo.


Mas Masuko aponta a necessidade de a indústria investir em todas as alternativas ao petróleo. Por isso, o interesse de Mitsubishi e outros fabricantes no desenvolvimento dos carros híbridos e elétricos. Com bateria cheia, a autonomia do MiEV poderá chegar a 160 quilômetros. (MO)

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quinta-feira, setembro 11

Logística para escoar álcool em xeque

Mônica Scaramuzzo
11/09/2008
Fonte: Valoronline
Davilym Dourado/Valor
José Roberto Serra, da Codesp, afirma que o porto de Santos está no limite
As exportações brasileiras de álcool alcançaram 623 milhões de litros no mês de agosto - volume recorde para um único mês. Se os embarques continuarem nesse ritmo, o efeito no curto prazo será como se uma gota d'água fizesse um copo inteiro transbordar. Essa metáfora traduz a real situação dos portos brasileiros: a capacidade de escoamento de etanol está muito próxima do seu limite.

Poucos investimentos diretos foram feitos nos últimos anos em terminais de álcool. Apenas adaptações da infra-estrutura existente. Dois grandes projetos, se concretizados, poderão mudar esse cenário, atualmente quase caótico.

Os grupos Cosan, Copersucar, Crystalsev e outras dez usinas anunciaram investimentos em torno de US$ 1 bilhão para a criação da Uniduto. A companhia será responsável pela construção de alcoodutos e um terminal de álcool em Santos (SP). O projeto, que ainda não saiu do papel, depende de aprovação de licenças ambientais e deverá entrar em operação em cinco anos. A estatal Petrobras também tem um megaprojeto de alcooduto, igualmente em torno de US$ 1 bilhão, mas que ainda está em fase inicial.

Há dez anos, o Brasil exportava aproximadamente 200 milhões de litros anuais de álcool. Neste ano, a estimativa é que os embarques alcancem 4,5 bilhões de litros. Se nada for feito no curto prazo, portanto, a atual infra-estrutura não dará conta da demanda e o sonho brasileiro de transformar o etanol em commodity global ficará ainda mais distante.

Maior da América Latina, o porto de Santos (SP) fez recentes investimentos, em torno de R$ 150 milhões, para adaptar alguns terminais líquidos para etanol. Mesmo assim, opera no seu limite, segundo José Roberto Serra, presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que administra o porto paulista. "Nossa capacidade é para no máximo 4 bilhões de litros por ano. Em 15 anos, a perspectiva é de que as exportações atinjam 20 bilhões de litros".

Em Santos, há um único terminal específico para álcool - o Teas (Terminal de Álcool de Santos). Boa parte das companhias sucroalcooleiras aluga terminais para exportar sua produção, inclusive a Copersucar, que possui um terminal próprio para açúcar no mesmo porto.

"Embarque acima de 600 milhões de litros mensais já representa que as operações estão no limite", afirma Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro. Segundo Nastari, se as usinas exportassem 600 milhões de litros por mês, não haveria capacidade suficiente nos portos nacionais para realizar essa operação. "O fato é que neste momento o país não embarca esse volume o ano todo, sobretudo na entressafra", observa Nastari.

"Investimentos têm de ser feitos com urgência. Mas, para isso, é preciso que haja um fluxo de entrada e saída de forma permanente", observa Nastari. É por conta desse raciocínio que muitos projetos ainda não saíram do papel.

Com um projeto milionário, a Petrobras anunciou a construção de alcooduto no país, com parceiros estratégicos, como a japonesa Mitsui e a Camargo Corrêa, mas esse projeto ainda não foi levado adiante. A estatal garante que o projeto se concretizará, com a construção de 1.056 quilômetros de dutos, interligando as principais regiões produtoras de álcool, de Senador Canedo (GO) até Paulínia (SP). A partir daí, o álcool poderá ser escoado pelo Rio de Janeiro, em Ilha D'Água, e também por São Sebastião (SP). O projeto está na chamada fase zero (adaptações das instalações existentes).

No mercado, entretanto, as apostas são de que apenas um alcooduto vingará. Ou aquele coordenado pela iniciativa privada ou o da Petrobras. Uma outra vertente de especialistas aposta na parceria entre a iniciativa privada e a estatal para a construção do alcooduto.

O investimento em um terminal portuário para etanol está estimado em cerca de US$ 200 milhões, de acordo com a Datagro. "O aporte mais caro é o do terreno", afirma Nastari. E por conta da escassez de terreno, a Uniduto terá um terminal monobóia (flutuante), de acordo com Paulo Diniz, vice-presidente financeiro e de relações com os investidores do grupo Cosan.

Com a expansão canavieira por novas fronteiras agrícolas do país, outros portos começam a se estruturar para escoar a produção de álcool. No porto de Vitória (ES), por exemplo, alguns ajustes foram realizados para atender à necessidade do mercado, diz José Luiz Campo, diretor-superintendente da Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo).

O porto de Vitória é estratégico para o escoamento de álcool de Minas Gerais, cita Campo. "Já temos condições para exportar etanol neste mês", diz. Essas adaptações absorveram R$ 60 milhões. O porto tem restrição de calado, mas novos aportes serão feitos para recepcionar navios Panamax, de grande porte.

Na região Nordeste, o porto de Suape (PE) tem seu próprio terminal para álcool no Temape (Terminais Marinhos de Pernambuco), segundo Renato Cunha, presidente do Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar/PE). No Paraná, as usinas do Estado também têm seu próprio terminal para exportação de álcool, o Paraná Álcool SA.

Como a expectativa é que os volumes de exportação avancem e atinjam pelo menos 7 bilhões de litros até 2014, segundo a Datagro, mesmo com esses recentes investimentos a infra-estrutura é insuficiente. "E a possibilidade de que os embarques atinjam esses volumes antes de 2014 existe", diz Nastari.

Segundo ele, o gargalo também é complicado durante o processo de transporte de álcool até os terminais portuários. "Cerca de 95% do transporte do álcool das usinas até os portos é feito via caminhão", afirma. "Há iniciativas para que sejam feitos por ferrovias, mas ainda não são relevantes". A forte demanda provocou um aumento expressivo do frete, em torno de 40%, nos últimos 12 meses.

Além de concorrer com os grãos, o transporte de álcool disputa espaço com o biodiesel, segundo Nastari. "O biodiesel fica concentrado em poucas regiões produtoras e tem de ser escoado para todo país." No centro-sul, a situação é ainda mais delicada. A distância mínima de uma usina de Ribeirão Preto a Santos, por exemplo, é de cerca de 300 quilômetros. Na região Nordeste, são mais ou menos 50 quilômetros.

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quarta-feira, setembro 10

Mais um ponto para o meio ambiente

Daniela Chiaretti
10/09/2008
Fonte: Valoronline


Em 2005, o produtor rural Luiz Castelo assinou um termo de ajustamento de conduta com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Mato Grosso. "Foi voluntário, eu queria resolver meu passivo ambiental", diz o pecuarista, dono da Fazenda Bang Bang, em São José do Xingu, no noroeste do Mato Grosso. "Tenho 350 hectares de área para recuperar", conta. Gastou R$ 140 mil na empreitada. "Não é investimento, é obrigação legal", reforça.


Castelo é pioneiro na região em se preocupar com a mata ciliar dos córregos de sua propriedade (que compõem a bacia do rio Xingu) ou em refazer a reserva legal de floresta nativa que foi desmatada. Tem 10 mil cabeças de gado em 13.500 hectares de terras. O fazendeiro parece ter tomado gosto pelo olhar ambiental nos negócios.


Ontem, ele circulava em Cuiabá, entre representantes de povos indígenas de cocar, pequenos agricultores, pesquisadores e ambientalistas no seminário "As mudanças no clima e a agricultura de Mato Grosso: impactos e oportunidades", que reúne 170 pessoas. "Não tinha conhecimento ou tecnologia para isso e busquei o ISA", conta, citando a parceria com o Instituto Socioambiental, ONG com trajetória de atuação junto a povos indígenas e que há 4 anos lançou a campanha Y Ikatu Xingu, em defesa das cabeceiras do rio.


O primeiro contato, evidentemente, teve constrangimentos de ambas as partes. "Lembro da hora de pagar a conta do primeiro almoço entre a gente. Quatro pessoas, quatro cartões de crédito na mesa. Ninguém queria ser convidado do outro", diz Castelo.


Técnicos do ISA têm ajudado na escolha das espécies para plantar, em como e quando semear, e até onde buscar as sementes. "Por que onde se compram sementes de pequi e baru? Na loja da esquina não tem", diz Marcio Santili, coordenador do programa de mudanças climáticas do ISA. A ONG desencadeou o processo de coleta das sementes junto aos indígenas, por exemplo, ou anunciando o interesse em rádio locais.


"Estou me estruturando para começar a exportar", diz Castelo. Na iniciativa, teve o apoio do grupo Pão de Açúcar, para quem venderá a carne. A rede varejista incluiu o fazendeiro no Projeto Tear (Tecendo Redes Sustentáveis), que tem por objetivo estabelecer práticas de responsabilidade social, coordenado pelo Instituto Ethos.


A experiência de Castelo ainda é pouco comum em um Estado que apenas recentemente começa a se preocupar com o tema ambiental e costuma competir com o Pará no ranking dos campeões de desmatamento da Amazônia Legal. O Mato Grosso, segundo maior produtor de grãos do Brasil, tem poucas estações meteorológicas, lembrou Giampaolo Pellegrino, da Embrapa Informática Agropecuária - o que dificulta estudar as mudanças do clima. O secretário do Meio Ambiente, Luis Henrique Daldegan disse que o Mato Grosso vem fazendo a sua parte. "A redução do desmatamento no Estado é sensível e visível, embora algumas pessoas não queiram enxergar", afirmou. "O céu está azul", disse, olhando para fora. Por aqui, céu sem fumaça em setembro pode ser sinal de que o plano de combate às queimadas está surtindo efeito.


A jornalista viajou a convite da ISA e do governo de Mato Grosso

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Amazônia já sofre mudança no clima

Chico Santos
10/09/2008
Fonte: Valoronline

O primeiro relatório regionalizado sobre as alterações climáticas na Região Amazônica, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sob encomenda da Vale, comprova o que estudos menos específicos já diziam: está havendo um processo acelerado de aumento dos extremos climáticos na região, com elevação da temperatura geral, aumento da mínima e da máxima, maior concentração de chuvas em menor número de dias, resultando em alternância de fortes precipitações com longos períodos de seca.


O trabalho, específico para os Estados do Maranhão e do Pará, que concentram as atividades da Vale na região, prevê que a temperatura média pode subir até 2 graus Celsius do leste do Pará até o Maranhão de 2010 a 2040, quando em todo o século passado o aumento da temperatura terra foi de apenas 0,8 grau Celsius. O resultado até o fim deste século pode ser a transformação de toda a área que vai do leste do Amazonas até o Maranhão em uma vegetação rala, semelhante à savana da África.


O estudo tomou por base observações de 36 estações meteorológicas, selecionadas entre mais de cem para aumentar a confiabilidade, e combinou modelos regionais com os critérios de avaliação adotado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas. Segundo o pesquisador Gilvan Sampaio, coordenador-adjunto do trabalho, como os modelos utilizados dividem os territórios estudados em áreas de 200 a 300 quilômetros, foram utilizados métodos de refinamento que permitiram reduzir a escala para 50 quilômetros.


Como em outros estudos semelhantes, foram utilizados dois cenários, o primeiro, benigno, no qual as emissões de carbono pela atividade humana passa das atuais 380 partes por milhão (ppm) para 620 ppm em 2100 e o segundo, com as emissões saltando de 380 para 850 ppm .


Sob a coordenação do pesquisador Carlos Nobre, do Inpe, considerado uma das maiores autoridades do país em meteorologia, o trabalho testou o modelo em dados já existentes de 1977 a 2007, constatando na prática a tendência ao aumento dos extremos climáticos, para em seguida construir os cenários para três períodos: de 2010 a 2040, de 2041 a 2070 e de 2071 a 2100. De acordo com as projeções, que Sampaio admite estarem ainda sujeitas a muitas ressalvas por falta de dados e por divergências entre os modelos, a temperatura do Estado do Maranhão pode subir de 4,5 a 6 graus Celsius até o fim deste século. O índice pluviométrico pode baixar de 1,5 a 1mm por dia (no cenário de maiores emissões, chove mais).


Sampaio disse que a transformação do Maranhão e do Pará em uma região semi-árida, à semelhança da existente em parte do Nordeste brasileiro, não deve ocorrer por causa da influência positiva que o fluxo de unidade do Oceano Atlântico tem sobre a região. Mas ele adverte que, se antes de chegar a savana a área for ocupada por plantações, de soja, por exemplo, os efeitos podem ser mais graves, dada a influência que a alteração pode ter sobre o regime de chuvas. O pesquisador disse não ter dúvidas de que os maiores problemas climáticos, não só da área estudada como de todo o Brasil, são o desmatamento e as queimadas.


No fim da apresentação do trabalho, feita em um hotel de Belém, pesquisadores locais questionaram o estudo, especialmente a não incorporação como parceiro, da área de pesquisas climáticas da Universidade Federal do Pará (UFPA). O professor Everaldo de Souza, um dos que mais questionaram, disse não discordar das conclusões, mas ressaltou que ainda falta uma metodologia que permita separar o que é o efeito das mudanças naturais e o que é o efeito da ação humana.


O estudo encomendado pela Vale ao Inpe, ao custo de R$ 1,5 milhão, está dividido em três etapas. As duas próximas, segundo Flávio Barbosa Montenegro, gerente-geral de Mudanças Climáticas e Assuntos Estratégicos de Sustentabilidade da mineradora, vão especificar conseqüências das mudanças climáticas sobre os vários aspectos da vida na região, incluindo agricultura, saúde e outros. Originalmente elas estão previstas para serem concluídas daqui a seis meses e a um ano, mas, segundo ele, pode ser que tudo fique pronto em seis meses. Ele disse também que o convênio com o Inpe deve ser o ponto de partida para uma série de estudos da empresa sobre questões climáticas e ambientais na região.


Montenegro disse que o objetivo da Vale é tanto obter informações para planejar a sustentabilidade ambiental e sócio-econômica das suas atividades, como também oferecer dados para o planejamento de políticas públicas. Segundo dados da mineradora, ela investiu no ano passado US$ 110,2 milhões em projetos ambientais no Pará e US$ 25,4 milhões no Maranhão, respectivamente, 834% e 234% a mais do que em 2006.

O jornalista viajou a convite da Vale

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quinta-feira, setembro 4

Acordo entre MMA e Caixa antecipa "sonho da água" em rios do Sudeste

03/09/2008
Fonte: http://www.mma.gov.br

Lucia Leão

A Caixa Econômica Federal antecipará os recursos da cobrança pelo uso da água para financiar grandes projetos de saneamento urbano e despoluição de águas nas bacias dos rios Paraíba do Sul e Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A presidente da instituição, Maria Fernanda Coelho, o ministro Carlos Minc e o presidente da ANA José Machado assinaram nesta quarta-feira (3) acordo de cooperação técnica para formatar a nova carteira que, na definição do ministro, "antecipará o sonho" dos habitantes da região de terem novamente água limpa correndo naqueles rios.

"Estamos falando de vida, e vida não pode esperar". Minc explicou a essência da parceria com a Caixa, que já se integra no plano que está sendo elaborado pelos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades para dobrar a coleta e tratamento dos esgotos no País em dez anos.

Primeiros rios de domínio da União (os que banham mais de um estado ou cruzam as fronteiras do País) a terem todos os instrumentos de gestão previstos no Código das Águas, os formadores das bacias hidrográficas do PCJ e do Paraíba do Sul são geridos por agências que arrecadam, cada uma, mais de R$ 41 milhões desde 2003, quando o pagamento foi instituído.

Esses recursos devem ser aplicados integralmente na recuperação e conservação das próprias bacias de acordo com as prioridades definidas pelos seus Comitês, formados por representantes dos usuários, do poder público e da sociedade civil. Em ambos os casos a prioridade absoluta é conter a poluição por esgotos.

"São bacias degradadas principalmente por esgotos domésticos que são lançados diretamente no rio. O saneamento ambiental é uma urgência que demandará investimentos robustos e de uma só vez. A Caixa fará esses investimentos antecipando a receita do pagamento pelo uso da água, que na prática será uma garantia de empréstimo".

Serão financiadas principalmente construção de redes de coleta e estações de tratamento. Nas pequenas comunidades que não comportem ETEs serão construídos biodigestores, onde o esgoto será transformado em gás de cozinha e adubo para abastecer as próprias comunidades.
A expectativa do secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano Vicente Andreu é de que esses investimentos nas duas bacias sirvam de "vitrine" e ajudem tanto a quebrar as resistências que ainda existem à cobrança pelo uso da água como a conter a tese de que os recursos provenientes dessa cobrança devam ser partilhados, destinando uma parte para aplicação em outras bacias.

"Todo o dinheiro da cobrança deve voltar para a bacia. O usuário que paga deve ter controle de sua aplicação e usufruir dos seus resultados, que é o rio sadio e as águas limpas."

A cobrança pelo uso da água é um instrumento de gestão da Política Nacional de Recursos Hídricos instituído para atribuir valor econômico à água, incentivar seu uso racional e arrecadar recursos para recuperar e conservar os mananciais da bacia.

Os valores são pactuados entre os usuários, pessoas jurídicas ou produtores que utilizam a água como insumo (usuário pagador) ou que lancem esgotos e rejeitos (poluidor pagador). No Paraíba do Sul eles são 226 e no PCJ 97. Os maiores contribuintes são as empresas de saneamento.

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